Um blog que surgiu do interesse de três colegas de profissão, profissionais de adoram o que fazem e não se cansam de trocar experiência, discutir o porquê de cada coisa, aprender e melhorar a cada dia nosso ofício. Junte-se a nós, apresente sua opinião de como você trabalha com o pilates, interaja.... será um prazer trocarmos nossas experiências!

5 de nov de 2012

Pilates no Brasil e no Mundo: Metodologias muito diferentes?


Joseph H. Pilates criou um incrível método de condicionamento físico chamado Contrologia e nos deixou um grande repertório de movimentos para sua aplicação. Temos muitas documentações sobre os exercícios, fotos e vídeos de aulas de Mat e algumas aulas personalizadas em Studio. Porém, temos pouco escrito sobre condução de aulas até pelo formato que se formava novos instrutores naquele tempo. Ouvimos relatos de alguns Elders, que Joe dava algumas aulas a seus alunos e depois, cada um fazia sua sequência sozinho por um tempo determinado, sempre sob os olhares dele e Clara, que também sabemos  era muito mais paciente e didática do que Joseph.

Temos alguns vídeos de aula de Mat conduzidas por Joe com grupos grandes de pessoas, fotos de aulas em grupo em equipamentos do Studio, vídeos de aulas personalizadas, porém, nada concreto em relação ao que ele acreditava em relação a metodologia temos registrado.


Atualmente, temos o grande auxílio da ciência na busca do entendimento biomecânico, fisiológico e psicológico que os movimentos proporcionam.  A estruturação de aulas e a forma de conduzir uma sessão de Pilates também têm sido muito discutidas entre os estudiosos.

O mercado de Pilates brasileiro atua em diferentes linhas de estruturação de aula, mas uma linha em específica é bem característica somente do nosso país: aulas em studios com 1 kit de aparelho e com diversos clientes na sala. Os studios são, em sua maioria, pequenos e compostos por kits de aparelhos contendo 1 Reformer, 1 Cadillac, 1 Chair e 1 Ladder Barrel e acessórios. Esse formato proporciona que o professor atenda grupos de 2, 3 ou até ousados instrutores que colocam 4 clientes, direcionando uma aula (entende-se como sequencia) diferentes para cada um dos clientes dentro do studio.

Vamos conversar melhor sobre as formas mais comuns de condução de aula de Pilates atualmente:

Mat Pilates
  • Mais oferecidas por academias e inseridas na grade de ginástica. Foi na verdade a metodologia responsável pela divulgação em massa do método. Pilates de Solo, pilates com bola, ...  Em alguns studios, temos áreas especificas para Mat, porém normalmente não encontramos nestes mesmos espaços um horário específico para aulas de Mat Pilates, uma pena. A aula de Mat é conduzida para o grupo com objetivos gerais, mas lembramos que o ideal neste caso é respeitar as limitações de cada cliente e adaptando o movimento sempre que necessário para cada participante.


Studio Pilates
  • Studios com área para Mat: Normalmente utilizado nos primeiros minutos de uma sessão (pré-pilates) e posteriormente os clientes passam para os equipamentos, sendo um cliente em cada aparelho. Nesse formato, os clientes iniciam a aula com uma sequência de Mat que o professor conduz igualmente para todos ou não e depois, o professor direciona o cliente para um aparelho e conduz aulas distintas para cada um dos 3 clientes do grupo. Esse formato demanda uma grande concentração do instrutor, que deverá estar atento à 3 sequências de aulas distintas e também a 3 clientes com características diferentes. Infelizmente as aulas não são separadas por nível de habilidade no método.
  •  Studios com mais de um kit de aparelhos: Nesse formato, normalmente 2 ou mais professores atuam na mesma sala, cada um com seu grupo de 3 alunos ou mais, com aulas distintas sendo conduzidas por cada instrutor. Nesta estrutura, existe 2 formas de trabalho:  o instrutor poderia atuar com seus alunos todos no reformer ou reproduzir o trabalho em circuito com cada um dos seus clientes em 1 aparelho distinto, o que é mais comum no Brasil.
  • Aulas circuitadas: Em pequenos studios, vemos 2 formas de trabalho: uma onde o cliente permanece no mesmo equipamento por toda a sessão e outra onde ele passa por todos os aparelhos ou a maioria deles durante a mesma aula. Há quem se organize melhor ao conduzir a aula em um único aparelho e há quem acredita que circular entre os equipamentos gera um gama de estímulos mais significativa ao cliente. Dentro desta estrutura, quando existe mais de 1 cliente na sala atendidos por 1 instrutor, nós acreditamos que o aluno deva permanecer a aula toda no mesmo aparelho, opinião formada por anos de  experiência atuando em studios com diferentes metodologias.  



Aulas de Pilates pelo Mundo

Studios pequenos são uma característica bem brasileira. Em outros lugares que circulamos (EUA, Espanha, Argentina, Inglaterra, Turquia, ...) os studios tem equipamentos para todos os clientes realizarem a mesma sequência de aula todos no mesmo aparelho, mesmo que tenha apenas só reformers, ou só chairs. Sempre existe a opção de aula personal mas a metodologia mais realizada é sempre em grupo, de forma que o professor possa estar atento à correção de todos para o mesmo movimento. As adaptações são realizadas de acordo com a necessidade do cliente assim como em uma aula de Mat. 

Acredita-se que dessa forma o professor tem maior controle sobre a aula e mais eficiência na correção e refinamento dos movimentos. O ideal é que os grupos sejam organizados normalmente em nível básico, intermediário e avançado, ou melhor ainda, como em espaços que conhecemos que possui 6 níveis distintos, sempre com o objetivo de alcançar maior homogeneização do grupo. Um princípio importante do método pode ser facilmente alcançado nesse modelo de aula: fluidez de movimentos.

Entenda melhor esta aula no vídeo autorizado e cedido pela BMC para divulgação de aulas em grupo, mas que apresenta também como é uma aula personal


A Equipe Trabalhando com Pilates esteve em contato com essa metodologia através de Congressos e formações no exterior e fica claro as vantagens e desvantagens desse modelo brasileiro (circuito com um kit de aparelhos) em relação ao modelo de salas de reformer, por exemplo. Aulas individuais em uma sessão em grupo requerem do profissional um desgaste físico e mental muito maior, no sentido que é quase impossível estar atento a todos os movimentos do aluno numa sessão onde aulas diferentes são conduzidas pelo mesmo professor. Lembrando que o normalmente dentro desta metodologia é o professor ser responsável pelo manuseio dos equipamentos durante toda a aula. Sabemos que isso gera um cansaço excessivo ao final de um dia de trabalho. Mas montar um studio com 4 reformer também exige um investimento maior, mas com uma possiblidade maior de lucro também. Nos últimos 2 anos ficamos sabendo de inúmeros studios paulistas que implantaram ou estão implantando esta metodologia.

No Pilates realizado fora do Brasil, os alunos são ensinados a manusear molas, cordas, barras e a conhecer suas cargas. O professor certifica que o equipamento está seguro para iniciar o exercício,  conduz, todos executam ao mesmo tempo, como uma coreografia, seguindo um ritmo respiratório determinado, fazendo as mesmas repetições e ouvindo informações que são pertinentes aos exercícios que estão executando no momento. O professor direciona as adaptações sempre que necessário, na nossa opinião, fundamental!

Gostamos muito de vivenciar essa experiência. Acreditamos que é um tipo de aula interessante para os clientes que buscam através do método a melhora do condicionamento físico e um estado de bem-estar profundo. Não abdicamos da aula individual, acreditamos que ela realmente é importante porque podemos atuar da forma mais personalizada possível.

Qual a sua forma de trabalho?
Acredita que o mercado brasileiro está aberto a conhecer novas metodologias?
Compartilhe conosco sua opinião

Abraços a todos,
Viviane Vales e Ge Gurak

Um comentário:

  1. Ótima postagem!
    Na minha formação em Pilates, pela Nanô Pilates, me foi ensinada a metodologia de passar o mesmo exercício para os alunos realizarem cada um no seu aparelho, adaptando os exercícios conforme o nível dos alunos e todos seguindo os comandos verbais do instrutor, mas nesse caso o studio tem que ter mais de uma unidade de cada aparelho. Considero essa a melhor metodologia.
    No entanto, a gente chega no mercado de trabalho e não encontra isso. Atualmente atendo dois alunos por horário em studio com uma unidade de cada aparelho. As aulas com dois alunos por horário me permitem fazer com que eles passem por todos ou quase todos os aparelhos na mesma aula.

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